Critérios de credenciamento: a tecnologia da informação pode contribuir?

Profa. Maria Helena Magalhães de Castro – Coordenadora do painel
Prof. Arthur Roquete de Macedo – Vice-presidente da Câmara de Ensino Superior do CNE
Prof. Gabriel Mário Rodrigues – Vice-presidente da ABMES
Prof. José Carlos Almeida da Silva – Presidente do CRUB

Antes do início do painel a coordenadora da mesa, Profa. Maria Helena de Castro, colocou a questão que lhe inquietava: "Já que nenhuma instituição está credenciada para sempre, quem deve assumir a função de avaliador, o MEC? O CRUB? Várias agências?". E foi diante de questões como essa que os palestrantes abordaram o tema proposto.

O Prof. Arthur Roquete de Macedo discursou sobre a responsabilidade das instituições privadas em manter a qualidade do ensino superior, já que está havendo um aumento no número de alunos e as instituições públicas não têm como absorvê-los. Defende que a avaliação deve ser a mais abrangente possível e que a autonomia deve ser cobrada das instituições. Informa ainda que a avaliação é fundamental, mas, para avaliar uma grande quantidade de instituições de ensino é necessário que haja tempo e recursos.

O Prof. Arthur não vê como o MEC ou o SESu podem fazer essa tarefa sozinhos e defende a criação de uma comissão nacional de avaliação e credenciamento. "Com um consórcio único poderia haver uma uniformização de parâmetros, mas seria difícil operacionalizar esse trabalho e ele poderia não levar em conta as peculiaridades de cada instituição", comenda o Professor.

O Prof. José Carlos Almeida da Silva discursou sobre que é preciso promover a qualidade de ensino dando apoio às faculdades e universidades que precisam resolver suas deficiências. Segundo o professor, a avaliação não deve ter caráter punitivo, pois acredita que a avaliação tipo ranking não funciona: estigmatiza a instituição. O CRUB propôs que fosse criada uma comissão de acompanhamento de credenciamento e descredenciamento sob a orientação do MEC. O Conselho acredita que a avaliação tem que servir para o aperfeiçoamento da gestão.

Para o Prof. José Carlos, o sistema universitário brasileiro é jovem. O primeiro curso superior do País surgiu em 1922 e o ensino superior brasileiro ainda está em formação. "Como estabelecer um sistema de avaliação com essa heterogeneidade?", questiona. O CRUB acha que é preciso entender a realidade do ensino superior no País e a avaliação precisa ser feita a partir do contexto de cada instituição.

O Prof. Gabriel Mário Rodrigues abordou as perspectivas de crescimento das universidades e questionou se esse crescimento será físico ou virtual futuramente. Ele citou o sociólogo espanhol Manuel Castells, que diz que a sociedade estará ligada por redes.

Para o Prof. Gabriel, o papel da escola é produzir conhecimento, mas nossa cultura, atualmente, ainda é baseada no papel. Agora estamos nos preparando para uma comunicação online. Discursou também sobre a possibilidade que a tecnologia traz das instituições serem visitadas virtualmente, por meio da Internet. Desse modo, seria possível fazer avaliação à distância e reduzir tempo e recursos para fazer essa atividade.

Durante o debate, o Prof. Arthur relatou que a tecnologia pode ajudar a fazer as avaliações, mas acha que é necessário avaliar de forma semi-presencial. Para o Prof. Arthur, não é possível avaliar sem fazer a verificação no local. Também acredita que há uma confusão entre avaliação e credenciamento. O Prof. esclareceu que a avaliação é o processo prévio ao credenciamento e é fundamental para as instituições de ensino.

O Prof. José Carlos relatou que a discussão dos critérios é importante e que sem a tecnologia não é possível fazer a quantidade de avaliações exigidas. Acredita que é necessário ter critérios qualitativos e quantitativos para avaliar, mas não de forma burocrática.

O Prof. Gabriel relatou que estamos acostumados a investir apenas em instalações tecnológicas, pois nossa cultura é presencial. Acredita que será possível disponibilizar as informações virtualmente. Sobre esse assunto, o Prof. Arthur relatou que a educação à distância será sempre complementar ao ensino presencial pois, segundo o Prof. Arthur, esse tipo de ensino é caro e há poucos usuários de Internet no Brasil: "A educação à distância aqui precisa usar a televisão e ela precisa estar ligada a uma instituição de qualidade", diz, finalizando o debate.

 

 

 

 

 

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Prof. Arthur Roquete de Macedo(32kb)

 


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Prof.. Gabriel Mário Rodrigues - (109Kb)